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Posts Tagged ‘carcinoma in situ’

O Índice Prognóstico de Van Nuys foi desenvolvido com o objetivo de auxiliar na escolha do tratamento apropriado para as pacientes com carcinoma ductal in situ da mama. O carcinoma ductal in situ, como podemos lembrar, é uma lesão pré-maligna da mama e que confere um risco de oito a dez vezes para as pacientes portadoras de desenvolverem um carcinoma invasor.

No tratamento do carcinoma ductal in situ, podem ser feitas a mastectomia simples e a quadrantectomia de mama, também chamada de cirurgia conservadora da mama. Quando o tratamento é feito com cirurgia conservadora, a radioterapia adjuvante na mama restante é indicada com a finalidade de reduzir a recorrência local do carcinoma in situ e de sua forma invasora.

O Índice de Van Nuys tenta estratificar as pacientes portadoras da doença em grupos de diferente risco de recidiva, com base nas características do tumor e nas margens pós-operatórias. Recentemente, o índice foi revisado, e a idade da paciente também passou a ser determinante no cálculo do risco de recidiva. Após a classificação da paciente em um dos grupos prognósticos definidos pelo autor, o grupo que desenvolveu a ferramenta sugere o uso da quadrantectomia sem radioterapia, da quadrantectomia associada a radioterapia ou da mastectomia simples.

Os critérios de avaliação do Índice Prognóstico de Van Nuys são os seguntes:

  • tamanho do tumor
  • grau de diferenciação do tumor
  • tamanho da margem cirúrgica mais próxima
  • idade da paciente

A cada um dos critérios é associado um escore que vai de 1 a 3, da segunte forma:

  • tamanho do tumor
    • igual ou menor do que 1,5cm: escore 1.
    • maior do que 1,5cm e menor do que 4,0cm: escore 2.
    • maior do que 4,0cm: escore 3.
  • grau de diferenciação do tumor
    • histologia tipo sólido, micropapilar ou cribiforme, com padrão baixo padrão nuclear, sem necrose: escore 1.
    • histologia micropapilar, sólido ou cribiforme, com grau nuclear intermediário, sem necrose ou  mínimo grau de necrose: escore 2
    • tumores pouco diferenciados, com necrose extensa padrão comedo: escore 3.
  • menor margem de ressecção
    • margem > 10mm: 1
    • margem entre 1 – 9 mm: 2
    • margem < 1mm: 3
  • idade da paciente
    • > 60: 1
    • 40 – 60: 2
    • < 40: 3

Pacientes cujo escore é de 4 a 6 têm bom prognóstico, e os autores do Índice sugerem que sejam tratadas com excisão apenas. O grupo de pacientes com escores 7 a 9 é o de risco intermediário de recorrência, e os autores sugerem o uso de cirurgia conservadora e radioterapia adjuvante. O grupo com escore 10 a 12 é o de alto risco de reidiva, para o qual os autores sugerem mastectomia.

Referência: 24.

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O carcinoma intraductal da mama, ou carcinoma in situ da mama, é uma lesão proliferativa das células que recobrem os ductos mamários. O carcinoma intraductal não é uma doença uniforme, ele inclui diversos tipos diferentes de proliferação de célular, cada uma com seu significado clínico e prognóstico.

Patologia

O carcinoma intraductal tem origem na unidade ducto-lobular terminal e se estende em direção aos ductos interlobulares. A variação dos tipos de carcinoma intraductal é maior do que a do carcinoma lobular in situ, formada por células dos lóbulos mamários.

Arranjos celulares e lesões associadas

Os formatos das células do carcinoma in situ são bastante variados. Os núcleos celualres são maiores e têm mais diversidade de formas, ou maior pleomorfismo. O arranjo celular pode ter formato de ácinos mamários, papilas ou espaços cribiformes, e não é incomum que os arranjos se misturem e mais de um padrão esteja presente na lesão. A presença desses arranjos de células classifica morfologicamente os carcinomas ductais in situ  como do tipo papilar, micropapilar, cribiforme ou acinar.

A periferia das lesões de carcinoma in situ podem mostrar outras lesões proliferativas em continuidade, como a hiperplasia atípica. Os critérios patológicos para diagnóstico diferencial entre a hiperplasia ductal atípica e o carcinoma in situ da mama não são uniformes, e pode haver discordância entre diferentes patologistas no diagnóstico de lesões pequenas, principalmente em lesões com menos de 3,0mm. Mesmo depois de firmado o diagnóstico de carcinoma in situ de mama, pode ser difícil determinar se ele é do tipo ductal ou lobular. Nos casos de carcinoma ductal in situ, o exame imuno-histoquímico para o marcador E-caderina é positivo, o contrário do que ocorre no carcinoma lobular in situ.

Comedocarcinoma, ou carcinoma ductal in situ tipo comedo

A palavra comedo refere-se à presença de material de necrose de coagulação e de debris celulares nos ductos mamários acometidos por carcinoma intraductal. No seu significado original, comedão é o nome dado a reação inflamatória purulenta da acne cutânea, que produz material necrótico de cor amarelada ou esbranquiçada, onipresente nos adolescentes. O termo comedo, quando aplicado ao carcinoma intraductal, deve ser compreendido como um modificador da classificação patológica. Modernamente, o uso do termo comedo para designar um carcinoma intraductal significa que a lesão é de alto grau nuclear, que tem extensa necrose. Não são considerados comedos os carcinomas micropapilares, papilares, sólidos e cribiformes, cujo grau nuclear é baixo e não há necrose. A mistura de mais de um tipo de arquitetura, com necrose focal ou ausente, também não é considerada um comedo.

Significado clínico e prognóstico

O carcinoma intraductal de mama é uma lesão pré-maligna. Embora a palavra carcinoma (câncer) faça parte de seu nome, nesse caso, o significado real da lesão é que na ausência de tratamento adequado, o risco de desenvolvimento de câncer de mama (carcinoma invasor) é multiplicado em 8 a 10 vezes o normal. Num período de 10 a 18 anos após o diagnóstico de carcinoma ductal in situ, o risco de câncer da mama é de 30 a 50%. O risco anual chega a 1%.

O carcinoma invasor, quando se desenvolve, acontece na mesma mama que teve o carcinoma intraductal em 99% dos casos. Nos outros 1% restantes, a lesão aparece na outra mama. A faixa de idade das mulheres que desenvolvem o carcinoma intraductal é o final da década dos 50 anos. Os sinais mamográficos do carcinoma intraductal são as microcalcificações pleomórficas ou distribuídas linearmente ao longo de um segmento da mama.

(continua)

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