Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘mastite periductal’

A ectasia ductal da mama, ou mastite periductal, é um dos quadros que pode se apresentar as Alterações Funcionais Benignas da Mama. Como descrito nesse post, as Alterações Funcionais Benignas da Mama são relacionadas a processos normais do desenvolvimento durante a vida reprodutiva da mulher. Elas não são uma doença, nem são um conjunto de doenças. A melhor maneira de descrevê-las é como um espectro de variações da normalidade, e que podem provocar dor, em mulheres normais e sadias.

Patologia

A mastite periductal/ectasia ductal é caracterizada pela presença de ductos normalmente palpáveis e dilatados, preenchidos com células do epitélio descamadas e secreção composta basicamente por proteínas. Ela acomete os ductos maiores e intermediários da mama. É mais comum em mulheres na pós-menopausa, e está presente em mais da metade das mulheres com mais de 60 anos, sendo considerada parte do processo natural de envelhecimento e involução da mama. A inflamação periductal é a característica patológica mais marcante dessa condição. O ectasia ductal severa pode mimetizar o câncer de mama, mas não há relação de risco demonstrada, assim como nas outras lesões não-proliferativas da mama.

Microfotografia de lâmina mostrando ectasia ductal. Há infiltrado inflamatório ao redor do ducto e várias células inflamatórias – inclusive macrófagos e células espongiformes – no interior do ducto. Fonte: 15.

Clínica

A ectasia ductal pode ser completamente assintomática. Nos casos em que ocorrem manifestações clínicas, as pacientes podem sentir pequenos nódulos ao redor da aréola, que causam leve dor ao toque e dão uma sensibilidade aumentada à mama. Usualmente, o nódulo e seus sintomas resolvem-se espontaneamente.

Nos casos em que não há resolução, pode ocorrer descarga papilar, ou formação de um abscesso subareolar. O abscesso subareolar apresenta-se como uma massa indurada, inflamatória, dolorosa, em que pode haver supuração e drenagem espontânea, com formação de fístula. Nos casos que há repetidos ciclos de inflamação, ectasia de ductos e cicatrização com formação de fibrose, pode ocorrer retração e inversão da papila.

Imagem de ectasia ductal no ultrassom. Observe a área anecóica em continuidade com o ducto mamário. Fonte: 16.

Tratamento

A maioria dos nódulos da ectasia ductal/mastite periductal resolve espontaneamente, podendo ser acompanhado clinicamente. Massas mais dolorosas podem ser aspiradas com punção por agulha.

Nos casos em que se suspeita de infeção bacteriana dos ductos terminais da mama em que não há supuração, as pacientes são iniciados em esquema antibiótico que inclua cobertura para germes gram-positivos de pele (cefalosporina de 1a geração, por exemplo) e anaeróbios (metronidazol). Quando a punção revela grande quantidade de material purulento, pode ser necessária a reaspiração com agulha ou drenagem cirúrgica. Após a cirurgia, também são utilizados antibióticos. O quadro clínico do abscesso periareolar resolve após a drenagem e o tratamento antimicrobiano em média até uma semana.

Em casos que existe fibrose e retração da papila, a ressecção terminal dos ductos da mama (cirurgia de Urban II) é indicada, para ressecar a área de fibrose retroareolar e corrigir a deformidade da papila. A cirurgia de Urban II também é utilizada nos casos de abscesso retroareolar recidivante, ou seja, quando ocorre mais de um episódio. O abscesso retroareolar é mais comum em mulheres fumantes, e a descontinuação do hábito é recomendada para a resolução do quadro.

Referência: 1, 15, 16.

Read Full Post »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 137 outros seguidores