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Archive for the ‘Diagnóstico’ Category

Melhores resultados no tratamento do câncer que mais afeta as mulheres brasileiras passam pelo exame para diagnóstico precoce – antes mesmo do surgimento de qualquer sintoma

O câncer de mama é tão frequente no Brasil que podemos imaginar a mulher adulta, hoje, tem uma amiga, alguém da família ou uma conhecida que enfrenta a doença. Afinal, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. Se até um passado não muito distante o problema era visto com vergonha, hoje as pacientes contam com grande apoio social para enfrentá-lo. A mudança nesse quadro veio a partir dos anos 80, com a ampla popularização da mamografia e o engajamento de toda a sociedade.

Porém, ainda mais importante que a transformação da mentalidade foi o grande avanço nos métodos de tratamento ocorridos nas últimas décadas. Aliados ao diagnóstico precoce, antes mesmo que a doença mostre seus primeiros sinais, esses novos métodos permitiram que mais mulheres vencessem a luta contra o câncer. Alem disso, o que antes era uma cirurgia radical, que removia todo o peito, hoje se transformou num procedimento conservador, que pode ser aliado a técnicas modernas de cirurgia plástica reconstrutiva.
A participação do especialista é fundamental durante todas as fases, desde o diagnóstico precoce até o tratamento. A internet oferece uma vasta quantidade de informação sobre o câncer de mama, sendo uma ferramenta importante de divulgação do conhecimento para a paciente. No entanto, sempre se incentiva a mulher que tenha dúvidas sobre seu auto-exame ou sua mamografia a procurar um especialista, seja ele ginecologista ou mastologista.
É com base na literatura mais atual que apresentamos a você uma estratégia simples de mamografias de rotina. A partir dos 50 anos, as mulheres devem incluir em sua rotina de exames a mamografia, num intervalo a cada 2 anos. Exames em espaçamento mais longo reduzem os benefícios do tratamento em caso de diagnóstico positivo. Por outro lado, não há evidência que um espaçamento mais curto do que 1 ano entre mamografias normais seja benéfico.
Para as mulheres de 40 a 49 anos, o ganho em redução de mortalidade com a mamografia de rotina é menos evidente do que na faixa entre os 50 e 74 anos. Por isso, vale uma conversa franca entre a mulher e o seu médico sobre as expectativas em relação ao exame e os riscos e benefícios na sua realização. A decisão é individualizada, caso a caso, entre começar ou não a rotina de mamografias na faixa dos 40 aos 49 anos. Embora tenha sido algo feito no passado, não é prática atual iniciar o rastreio de rotina abaixo dos 40 anos, salvo casos especiais.
A partir dos 75 anos, também é uma decisão entre a paciente e seu médico a realização da mamografia de rotina. Sabe-se que existe um número de mulheres que a adota, embora não haja dados de estudos clínicos que comprovem a eficácia do método em reduzir a mortalidade nessa faixa etária.
Portanto se você é mulher e está próxima dos 50 anos, firme esse compromisso com a sua própria saúde: a cada dois anos, faça a mamografia, procurando sempre o médico ginecologista ou mastologista. Se realmente confirmado com o exame de detecção precoce, o câncer não precisa ser uma sentença. O tratamento pode ser conservador, sem necessidade de perder a mama. Seu médico e a sociedade inteira estão conscientes e também torcendo a seu favor!
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O gene HER2 favorece a divisão e proliferação celular. Em até 25% dos cânceres de mama o gene HER2 sofreu amplificação, o que faz que ele seja capaz de estimular maior divisão e a proliferação celulares. Em conseqüência, os tumores HER2+ demonstraram crescimento mais acelerado, maior capacidade de metástases e menor relação entre os fatores prognósticos tradicionais e o tempo de sobrevida.

O gene HER2, também conhecido como HER2/neu ou ERBB2, está no braço longo do cromossomo 17 (17q11.2-q12). Seu produto de expressão é uma proteína de membrana celular com atividade de tirosina-quinase. A ativação dessa proteína de membrana é o mecanismo pelo qual a divisão e a proliferação são estimuladas. Na célula normal, existe uma cópia do gene por cromossomo. Na célula neoplásica ocorre a amplificação, ou a existência de mais de uma cópia do gene por cromossomo. No câncer de mama, a amplificação é de duas a vinte vezes, e a atividade aumentada produz uma quantidade até cem vezes maior da proteína transmembrana que estimula a duplicação.

 

Acima, microscopia de quatro tumores de mama corados pela técnica de imuno-histoquímica para pesquisa de HER2. A: escore 0, não há coloração da membrana. B: escore +2, coloração circuferencial da membrana em mais de 10% das células, porém fina. C: escore +1, coloração fraca e parcial da membrana de mais de 10% das células. D: escore +3, coloração circunferencial da membrana, grossa e retrátil, em mais de 10% das células. Os casos A e C são considerados negativos, o caso D é positivo. No caso B, é necessário o emprego da hibridização in situ (FISH) para o diagnóstico.

 

O trastuzumab é um anticorpo monoclonal humanizado que foi projetado para bloquear a ação da proteína de membrana produzida pelo HER2. Os primeiros estudos com a droga foram feitos em pacientes com câncer de mama HER2+ metastático que já tinham recebido quimioterapia convencional. A adição do trastuzumab à quimioterapia para o câncer metastático aumentou a taxa de resposta, a sobrevida geral, o tempo para progressão de doença e a qualidade de vida. Em 1998, ele foi aprovado pelo FDA como droga de primeira linha em associações de drogas para o câncer de mama metastático.

O sucesso da droga em pacientes metastáticas proporcionou que ela fosse testada em pacientes com câncer de mama HER2+ em fase mais precoce, após o tratamento cirúrgico e em combinação com outros quimioterápicos. Nos ensaios clínico NSABP B-31 e NCCTG N9831 a adição de trastuzumab à quimioterapia adjuvante (pós-operatória) aumentou a sobrevida livre de doença em 52%. Outros estudos seguiram-se demonstrando vantagens do uso do trastuzumab em pacientes com câncer de mama, e a droga faz parte dos esquemas quimioterápicos atuais em pacientes com câncer HER2+.

Referências: 10, 11, 14.

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Breast cancer mammogram

Mamografia: a seta aponta a área de câncer da mama. Repare no pequeno tamanho da lesão em relação ao tamanho da mama.

Muitas vezes a pergunta surge nos consultórios: quanto tempo o câncer leva para se manifestar? A resposta exata para essa pergunta é difícil, senão impossível. Existe uma série de fatores próprios da paciente e da célula tumoral que influenciam no tempo de crescimento da doença. O mais próximo que se pode chegar dessa resposta é através de estudos que medem o tempo de duplicação de tumores em um grande número de pacientes, para que se chegue a uma estimativa média de tempo. Abaixo, os dados de dois estudos de acompanhamento mamográfico de mulheres não manejadas inicialmente com biópsia e que, posteriormente, revelaram-se portadoras de câncer de mama:

  • Gershon-Cohen, Berger e Klickstein, 1963. O tempo de duplicação da lesão, ou seja, o tempo necessário para que a lesão dobre de tamanho foi, em média, de 120. A variação entre a lesão com menor tempo de duplicação e a com maior tempo foi de 23 a 209 dias.
  • Colette C., 1992. O tempo médio de duplicação da lesão foi de 212 dias, variando entre 44 a 1869 dias.

Assim, admite-se que o câncer de mama tem um tempo de duplicação que varia de 120 a 212 dias. A partir dessa estimativa, foi possível calcular que, do início da transformação maligna até o ponto mínimo de detecção pela mamografia, que é quando a lesão tem 1 a 2 milímetros, são necessárias 20 duplicações, ou 6  a 11 anos. O crescimento da lesão até o tamanho de 1 centímetro, em que ela se torna palpável, leva um total de 30 duplicações, ou 4 anos adicionais. Para que a lesão chegue a 2 centímetros, um total de 20 anos são necessários.

O câncer de mama é uma doença de evolução lenta. Comparado a um resfriado, cuja evolução desde a infeção até a cura é de 7 a 10 dias, ou a uma apendicite, que leva de 8 horas a 2 dias para causar sintomas, o câncer tem o curso extremamente lento. Durante a maior parte de seu desenvolvimento, a doença não é detectável clinicamente, através de sintomas ou de exame físico. Se por um lado a detecção clínica precoce é difícil, por outro, o longo tempo de evolução oferece teoricamente a oportunidade de curar a doença quando ela ainda não teve efeitos importantes sobre o organismo e, principalmente, não foi capaz de manifestar-se em outros órgãos. Essa é a base teórica em que se apóia o acompanhamento mamográfico das mulheres assintomáticas. O estudo sistemático dos programas de rastreamento anual mamográfico confirmou essa teoria, mostrando redução de mortalidade por câncer de mama nas mulheres submetidas ao rastreamento.

A informação e o acesso ao rastreamento constituem-se na melhor defesa contra o câncer de mama. Discuta sempre com o médico qual a idade mais adequada para iniciar o rastreamento e com que freqüencia a mamografia deve ser feita.

Ref.: 1.

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