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Archive for the ‘Alterações do Desenvolvimento’ Category

Recebemos várias perguntas de rapazes com dúvidas e às, vezes, com medo de poderem estar com alguma doença. Algumas das perguntas foram assim:

Pode ser estranho, mas sou um rapaz e agora tenho andado com uma dor na mama esquerda… Tenho 12 anos… a mama está meia encaroçada… (” (comentário anônimo, sob o post Dor no Seio)

Esses dias eu estava em casa e apareceu um caroço no meu peito direito. Quando o toco, dói. No esquerdo, não doi nada e nem tem caroço. Fiquei assustado com isso, gostaria de receber resposta. É para tirar isso ou é a puberdade começando? Falou!” (L., sob o post Ectasia Ductal de Mama)

Tenho um caroço no mamilo esquerdo, fico com medo que pode ser câncer, tenho 15 anos. Pode aconteçer isso na minha idade?” (J., sob o post Câncer de Mama em Homem)

Os nomes foram ocultos para que os meninos que nos perguntam tenham sua identidade preservada. Para esses meninos e para todos os que tiverem dúvidas nós escrevemos esse post.

Para fins de clareza, vamos chamar de mama aquela região que corresponde à aréola, à papila e aos tecidos que estão sob eles, da superfície da pele até o músculo do peito. Dentro desse envelope de pele, músculo e gordura subcutânea existe uma glândula mamária rudimentar, desde o nascimento. Nas mulheres, essa glândula rudimentar permance em latência até o início da produção de hormônios sexuais e da puberdade. Os estágios de desenvolvimento da mama feminina vão desde o chamado broto mamário, que aparece como uma simples elevação da aréola com pequena projeção da papila, até a mama adulta totalmente formada da mulher jovem.

Os homens também nascem com mamas rudimentares, não desenvolvidas. Curiosamente, em alguns meninos recém nascidos, os hormônios femininos de origem materna podem fazer com que esse rudimento seja mais exubernate e se pareça com um broto mamário. Em alguns casos, pode inclusive haver excreção de uma pequena quantidade de secreção pela papila – o chamado leite de bruxa. Quando os hormônios sexuais femininos provenientes da mãe são metabolizados, a mama pára de receber estímuo e involui. Assim, tanto meninos e meninas passam a infância com as mamas sem desenvolvimento, em fase de latência.

Durante a puberdade feminina, como já vimos, a mama sofre a influência dos hormônios sexuais femininos (estrógeno e progesterona, entre outros) e inicia seu desenvolvimento. Nos meninos, que produzem hormônios sexuais masculinos, um processo parecido pode acontecer. Os rudimentos de mama, podem se desenvolver após conversão periférica de hormônios masculinos em hormônios femininos pela 17-alfa-hidroxi-redutase. Essa enzima é presente especialmente no tecido adiposo, ou seja, na gordura. Quando há conversão periférica de hormônios sexuais masculinos em hormônios femininos, e sensibilidade do tecido mamário, pode haver um pequeno desenvolvimento da mama masculina. A esse desenvolvimento da mama masculina, semelhante à mama feminina, que chamamos de ginecomastia.

Dependendo do biotipo do rapaz, as mamas podem ficar mais ou menos aparentes, ou até mesmo não aparecerem. A frequência real da ginecomastia na população saudável não é conhecida no Brasil. Dependendo do critério usado para definir o que é ginecomastia, ela pode variar. Assim, em estudo feito nos Estados Unidos com rapazes alistados no Exército, a ginecomastia foi definida como a existência de tecido mamário detectado por ultrassonografia em tamanho maior do que 10 milímetros sob a aréola. Seguindo esse critério, aproximadamente 50% dos indivíduos estudados tiveram ginecomastia.

Quando apenas o critério clínico é utilizado – ou seja, quando o homem jovem ou adulto procura o médico para consulta por desconforto com a aparência do peito – ainda assim a ginecomastia é comum. Estima se que uma média de 10% dos homens adultos tenha ginecomastia, e que , durante a puberadade, até 20% dos meninos podem apresentar essa condição. A maior parte dessas pessoas convive sem problemas com os amigos e com a família e não tem disfunção social por isso.

A ginecomastia não é uma doença. Na maior parte das vezes, ela representa uma particularidade do desenvolvimento do homem, que pode ou não persistir além da puberdade. Além disso, ela pode aparecer após a puberdade, em homens adultos. Especialmente nesses casos, ela pode estar associada a fatores sistêmicos. Dentre alguns fatores sistêmicos que podem desencadear a ginecomastia estão algumas doenças renais, hepáticas, tireoideas e das adrenais. A adminsitração de medicação ou de hormônios também se associa a ginecomastia, e deve sempre ser investigada. Raramente, a ginecomastia pode ser resultado de tumor produtor de hormônios esteróides.

A consulta com o mastologista vale a pena para esclarecer dúvidas e para definir se a ginecomastia está apenas associada ao desenvolvimento normal ou se é resultado de alteração de saúde. O mastologista é o profissional que pode investigar a origem do desenvolvimento da mama com os métodos adequados.

O tratamento da ginecomastia é cirúrgico. A cirurgia consiste na remoção do tecido mamário sob a aréola, e na reconstrução da aréola. Normalmente, o paciente pode retornar às atividades usuais em um mês.

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Acima, desenho de mamas normais com dois mamilos supranumerários do lado direito, no abdome.

 

A politelia é a presença de um ou mais mamilos supranumerários. Na embriogênse normal, a crista mamária surge como uma dobra do ectoderma ventral do embrião, semicircular, simétrica e bilateral, que se estende da axila até a face medial das coxas. Normalmente a crista regride completamente, exceto por uma pequena área sobre a quarta costela, de onde se origina os dois brotos mamários e o mamilo. Esse evento ocorre na quinta semana de gestação e é coincidente com o desenvolvimento dos órgãos urogenitais. A politelia ocorre quando há falha da regressão da crista mamária.  A persistência da crista em pontos diferentes dos habituais ocasiona a formação de mais brotos mamários acessórios, e um mamilo para cada ponto de falha de regressão da crista. Dessa forma, a politelia pode ser unilateral ou bilateral. O número de mamilos acessórios é variável; existe relato de um único paceinte com dez mamilos.

Normalmente, a politelia é evidente no nascimento, e o exame físico de todo recém-nascido deve identificar o número e a localização das papilas (mamilos). Diversas anomalias congênitas foram associadas à politelia, notadamente as do trato gênito-urinário, que se desenvolve na mesma semana de gestação em que há regressão da crista mamária. As anomalias gênito-urinárias mais comuns são a agenesia renal, a doença obstrutiva renal e os rins supranumerários. Anormalidades cardíacas (distúrbios de condução, hipertensão e más-formações diversas), hipertrofia pilórica, epilepsia, deformidades da orelha e artogripose já foram associadas à politelia.

Quando existe tecido mamário associado à papila supranumerária, ele responde aos mesmos estímulos hormonais que a mama tópica. Dessa forma, as condições que afetam as mamas podem também afetar a mama ectópica. Podem ocorrer desconforto perimenstrual, inchaço e nódulos. Na gestação, a mama ectópica pode desenvolver-se e produzir leite como as mamas tópicas. As doenças benignas da mama e as neoplasias também podem acomenter a mama ectópica associada ao mamilo supranumerário.

A prevalência da politelia na população geral é variável, dependendo da fonte de estudo, e vai desde de 0,22% na população européia branca até 2,5% em recém-nascidos judeus, passando por 1,63% em negros americanos. A diferença entre as frequências é atribuída mais a busca pelo diagnóstico mais intensa nas diferentes populações do que uma diferença racial.

A politelia pode passar despercebida nos indivíduos adultos. O local mais comum de encontrar-se uma papila supranumerária é no sulco inframamário. No entanto, em qualquer dos pontos da crista mamária, inclusive no abdome, a papila supranumerária pode ser encontrada. Raramente, a papila supranumerária encontra-se fundida à papila normal.

A correção cirúrgica da politelia é feita com um procedimento minimamente invasivo. O paciente, homem ou mulher, que suspeite da presença de um mamilo acessório deve consultar um mastologista. O diagnóstico é simples, feito pela história e pelo exame físico. A correção cirúrgica deixa excelentes resultados estéticos.

Referência: 1.

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