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Posts Tagged ‘hamartoma’

Desenho esquemático mostrando um fibroadenoma de mama. Fonte: A.D.A.M. Anatomy.

O fibroadenoma é o tumor mais comum da mama e é a massa mais freqüente nas pacientes com menos do que trinta anos. Ele pode se desenvolver em qualquer idade, e freqüentemente ocorre em adolescentes. É um tumor benigno, que costuma voltar após a cirurgia e que, muitas vezes, causa desconforto por parecer-se com um câncer de mama.

No exame da mama, o fibroadenoma é um tumor móvel, bem definido, não-aderido ao tecido que o rodeia, com tamanho médio de 2 a 3 centímetros. Por essas características, ele é muitas vezes palpável, tanto pelo médico como pela paciente. Como o fibroadenoma responde às alterações hormonais da paciente, ele pode aumentar de tamanho e ficar doloroso perto da menstruação. O fibradenoma é mais comum em mulheres negras, e costuma recorrer mais nas pacientes negras do que nas brancas.

O diagnóstico de certeza de fibradenoma é feito pela biópsia do nódulo e pelo exame anátomo-patológico. O nódulo pode ser biopsiado por diversos métodos, como a core biópsia, a mamotomia e a biópsia cirúrgica. A biópsia cirúrgica do fibroadenoma tem como vantagem adicional o tratamento definitivo do nódulo, ou seja, sua remoção.

Patologia

Após a remoção, os fibradenomas se mostram bem circunscritos, com limites precisos, margem de corte branca e brilhante, podendo apresentar em seu interior projeções papilares. O conteúdo de fibrose predomina mas pode variar de uma área a outra na mesma peça. No exame ao microscópico, os fibradenomas têm grande quantidade de tecido fibroso, com pequenas áreas de epitélio ductal da mama, arranjado de maneira linear ou cruvilínea. Raramente, existem células de músculo liso dentro do fibroadenoma. O epitélio dentro do fibroadenoma pode ter as mesmas características do epitélio da mama, inclusive com metaplasia apócrina.

O surgimento de carcinoma de mama em uma lesão fibradenomatosa é bastante incomum. Quando acontece, o carcinoma é um achado incidental, do tipo lobular in situ.

Tipos Especiais

O fibroadenoma juvenil é uma lesão de crescimento rápido, que pode atingir a grande tamanho (até 15 centímetros) e ocorre em pacientes após a menarca. Caracteristicamente, as lesões são benignas e têm um com padrão de hipercelularidade do estroma. Depois de ressecadas não tendem a recorrer. A presença de atipias num fibradenoma juvenil, acompanhada por padrão hipercelular, pode levar a uma interpretação equivocada de existência de carcinoma in situ na lesão.

O hamartoma de mama, ou fibroadenolipoma, é uma lesão semelhante ao fibradenoma, mas que contém adipócitos em seu interior. Nela, diferentemente dos fibradenomas, as unidades lobulares da mama (ductos e lóbulos mamários ) estão bem representadas, especialmente na periferia da lesão. A tendência do hamartoma é ocorrer uma década mais tarde do que o fibradenoma. A presença de margens bem marcadas e lisas e a existência de gordura misturada aos elementos fibrosos e celulares que faz com que o diagnóstico mamoráfico do hamartoma seja característico.

O adenoma tubular é uma lesão incomum, em que elementos tubulares estão presentes em uma massa circunscrita, com mínimo suporte de estroma fibroso. Os adenomas tubulares macroscópicos tem uma fina nodularidade e normalmente não são vistas estruturas lobulares. Quando associados à gestação e à lactação, os adenomas tubulares podem ser chamados adenomas de lactação ou tumores de mama da gestação.

Mamografia e Ultrassonografia

Na mamografia, o fibroadenoma aparece como uma massa redonda, oval ou lobulada, com margens definidas. Eles podem ser únicos ou múltiplos. Nas mulheres mais idosas, eles desenvolvem calcificações bastante características.

Mamografia de um fibroadenoma em involução. Note as calcificações grosseiras.

Mamografias em vista crânio-caudal mostrando múltiplos fibroadenomas.

Na ultrassonografia, o fibroadenoma é ovalado, com a largura maior do que a altura – o que é comumente referido como orientação paralela à pele – margens circunscritas e ecos fracos em seu interior – ou hipoecóico. Ele se diferencia do carcinoma de mama ao ultrassom por essas características. Além disso, o carcinoma tem margens mal-definidas, formato irregular e ecos heterogêneos em seu interior.

Ultrassonografia de um fibroadenoma de mama. Fonte: Phillips Image Bank.

Tratamento

Após o diagnóstico microscópico, pela biópsia e exame anátomo-patológico, a paciente e o médico devem discutir qual o melhor método de tratamento para o fibradenoma. Lesões pequenas, que não são dolorosas e que têm comprovação diagnóstica podem ser acompanhadas clinicamente, sem a necessidade de cirurgia. Lesões maiores, que causam dor ou que a paciente deseje remover são melhor abordadas com a cirurgia de ressecção. Dependendo da localização e do tamanho do nódulo, o procedimento pode ser feito em hospital-dia (a paciente retorna para casa no mesmo dia da cirurgia), ou em internação curta (retorna no dia seguinte). A cirurgia é rápida e a recuperação costuma ser completa.

Referências: 1, 13.

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