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Posts Tagged ‘Patologia’

O carcinoma intraductal da mama, ou carcinoma in situ da mama, é uma lesão proliferativa das células que recobrem os ductos mamários. O carcinoma intraductal não é uma doença uniforme, ele inclui diversos tipos diferentes de proliferação de célular, cada uma com seu significado clínico e prognóstico.

Patologia

O carcinoma intraductal tem origem na unidade ducto-lobular terminal e se estende em direção aos ductos interlobulares. A variação dos tipos de carcinoma intraductal é maior do que a do carcinoma lobular in situ, formada por células dos lóbulos mamários.

Arranjos celulares e lesões associadas

Os formatos das células do carcinoma in situ são bastante variados. Os núcleos celualres são maiores e têm mais diversidade de formas, ou maior pleomorfismo. O arranjo celular pode ter formato de ácinos mamários, papilas ou espaços cribiformes, e não é incomum que os arranjos se misturem e mais de um padrão esteja presente na lesão. A presença desses arranjos de células classifica morfologicamente os carcinomas ductais in situ  como do tipo papilar, micropapilar, cribiforme ou acinar.

A periferia das lesões de carcinoma in situ podem mostrar outras lesões proliferativas em continuidade, como a hiperplasia atípica. Os critérios patológicos para diagnóstico diferencial entre a hiperplasia ductal atípica e o carcinoma in situ da mama não são uniformes, e pode haver discordância entre diferentes patologistas no diagnóstico de lesões pequenas, principalmente em lesões com menos de 3,0mm. Mesmo depois de firmado o diagnóstico de carcinoma in situ de mama, pode ser difícil determinar se ele é do tipo ductal ou lobular. Nos casos de carcinoma ductal in situ, o exame imuno-histoquímico para o marcador E-caderina é positivo, o contrário do que ocorre no carcinoma lobular in situ.

Comedocarcinoma, ou carcinoma ductal in situ tipo comedo

A palavra comedo refere-se à presença de material de necrose de coagulação e de debris celulares nos ductos mamários acometidos por carcinoma intraductal. No seu significado original, comedão é o nome dado a reação inflamatória purulenta da acne cutânea, que produz material necrótico de cor amarelada ou esbranquiçada, onipresente nos adolescentes. O termo comedo, quando aplicado ao carcinoma intraductal, deve ser compreendido como um modificador da classificação patológica. Modernamente, o uso do termo comedo para designar um carcinoma intraductal significa que a lesão é de alto grau nuclear, que tem extensa necrose. Não são considerados comedos os carcinomas micropapilares, papilares, sólidos e cribiformes, cujo grau nuclear é baixo e não há necrose. A mistura de mais de um tipo de arquitetura, com necrose focal ou ausente, também não é considerada um comedo.

Significado clínico e prognóstico

O carcinoma intraductal de mama é uma lesão pré-maligna. Embora a palavra carcinoma (câncer) faça parte de seu nome, nesse caso, o significado real da lesão é que na ausência de tratamento adequado, o risco de desenvolvimento de câncer de mama (carcinoma invasor) é multiplicado em 8 a 10 vezes o normal. Num período de 10 a 18 anos após o diagnóstico de carcinoma ductal in situ, o risco de câncer da mama é de 30 a 50%. O risco anual chega a 1%.

O carcinoma invasor, quando se desenvolve, acontece na mesma mama que teve o carcinoma intraductal em 99% dos casos. Nos outros 1% restantes, a lesão aparece na outra mama. A faixa de idade das mulheres que desenvolvem o carcinoma intraductal é o final da década dos 50 anos. Os sinais mamográficos do carcinoma intraductal são as microcalcificações pleomórficas ou distribuídas linearmente ao longo de um segmento da mama.

(continua)

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A adenose esclerosante de mama é aceita, desde 1985, como um indicador de risco levemente aumentado de desenvolvimento de carcinoma invasor de mama, que vai de 1,5 a 2 vezes maior do que o usual.

A lesão da adenose esclerosante mimetiza o carcinoma invasivo da mama. Clincamente e macroscopicamente, ela é imperceptível. Os critérios patológicos diagnósticos da adenose esclerosante são:

  • aumento e distorção das unidades lobulares;
  • aumento do número de estruturas acinares;
  • alterações fibrosas do estroma coexistentes;
  • manutenção da população normal de duas camadas de células acima da membrana basal. No caso de aumento do número de camadas de células, o diagnóstico deve ser de hiperplasia ductal ou lobular.

adenose, quando não é acompanhada do qualificador esclerosante se refere a unidades lobulares com pequenas deformidades mas, que de outra forma, seriam classificadas como normais.

A hiperplasia lobular atípica costuma se associar a adenose esclerosante. Normalmente, existem lóbulos mamários nas adjacências, que não fazem parte da área de adenose esclerosante e que apresentam critérios de hiperplasia lobular atípica. Outra forma de alteração é a alteração apócrina, presente quando as células apresentam características de células apócrinas, com núcleos e nucléolos grandes. Essas lesões podem também mimetizar caricinoma invasor.

Clinicamente, a adenose esclerosante pode não apresentar sinais e sintomas, ou pode ser palpada, quando ela forma um agregado de pequenos focos de adenose esclerosante que se tornam palpáveis. Mamograficamente, os focos agregados de adenose esclerosante podem conter microcalcificações e serem evidentes dessa forma.

Uma condição rara, a de adenose microglandular, foi identificada e pode mimetizar um carcinoma tubular de mama. Clinicamente, pode ser produzida uma massa palpável, de vários centímetros, infiltrativa nos tecidos mamários. Patologicamente, a lesão não tem o contro numa estrutura lobular, e os espaços glandulares parecem aumentados em tamanho e infiltrativos no parênquima mamário.

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